A descobrir cá dentro

Grill D. Fernando ou o passado como ele deve ser...

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Confesso que sou muito pouco saudosista e olho sempre mais para o presente e futuro, do que vivo agarrada ao passado. Mas, a verdade é que cada vez mais me encanto com espaços que mantêm tradições sem receio de parecerem datados, que nos mostram que afinal a modernidade não é tudo. Um aplauso para eles, que são tão poucos e que cada vez nos fazem mais falta.

O Grill D. Fernando fica no topo do Altis Grand Hotel, no 12º piso. Imagina a vista? Sim, não é? Mas, se fosse só isto...

Antes de avançarmos convém dizer dizer que o hotel completa 45 anos e por essa razão, convida-nos a voltar a 1973, altura em que abriu portas. De que forma? Com um menú, (atenção disponível só até à próxima quinta feira, 31 de Janeiro) que recria o que estava a em vigor na altura. Um luxo, não?

Prepare-se para um cocktail de gambas Neptuno servido comme il faut (€14) uma sopa de cebola gratinada (€7) ou uma sopa de marisco (€9), entre outros. Nos peixes, entre o pregado corado à Gastrónomo (€25), a Garoupa à Algarvia (€28), o linguado à Costa Verde (€36) e o irrepreensível Robado cozido ‘en court bouillon’ (caldo aromatizado), eu optei por este e não me arrependi. Porque numa altura em que a rapidez parece ser o maior trunfo, aqui temos um caldo cuidadosamente preparado onde o robalo é mergulhado para um ponto de cozedura perfeito.

Carnívoros fiquem descansados, porque há costeletas de borrego grelhadas com molho de hortelã (€28), Tornedós D. Fernando (€24), Lombinhos de porco molho de maçã (€18) e as Costeletas de vitela à portalegrense (2pess. €54).

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É Artur Caldas, chefe de sala, que está no Altis há 17 anos, que desempenha toda a mestria da quase extinta cozinha de sala. É vê-lo a fazer os crepes Suzette e considerar o momento um verdadeiro privilégio!

Além dos imprescindíveis Crepes Suzette (2pess. €19) pode deliciar-se com uma Sericaia com ameixa de Elvas (€8), uma clássica Fatia da China (€8) ou por um Prato de queijos (€14). Também há Fruta da época (€8) ou Pastel de nata (€2).

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E porque a ideia é fazer viajar-nos no tempo, os cestos do pão, as manteigueiras , bandejas, garfos de mariscos e outros vêm à mesa. É um espólio riquissímo que o hotel tão bem soube preservar durante todo este tempo. Aliás, à entrada do restaurante está disposta uma mesa repleta de pequenas delícias, o menú da altura, os serviços de copos e pratos e talheres e até a bandeja que levava, discretamente, recados de umas mesas para as outras. “Era o Whatsapp da altura” brinca Artur Caldas.


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Mesmo ao lado do Grill D. Fernando está o bar S. Jorge que merece uma visita obrigatória.

O espaço repleto de peças do designer português Daciano da Costa (lindas de morrer!) foi atualizado pelo atelier da designer de interiores Cristina Santos Silva. O balcão do bar, com uma pedra de mármore retroiluminada, confere a este espaço um elemento marcante.

As mesas, as poltronas (agora recuperadas) e os candeeiros concebidas por Daciano, mostram bem porque este continua a ser um dos nomes mais marcantes do design português.


GRILL D. FERNANDO

ALTIS GRAND HOTEL Rua Castilho, 11, 12º Andar

Segunda a Sexta das 12.30h às 15h.

Segunda a Sábado das 19.30h às 22.30h.
(encerra sábado almoço e domingo todo o dia )

Optimista

Optimista: Referente ao otimismo; que manifesta confiança num bom resultado ou desenlace; confiante em relação ao futuro em geral.

É assim que o dicionário da Porto Editora define a palavra. E é assim que os mentores deste espaço olham para o projeto. A ideia de abrirem um restaurante já vinha de longe, mas quando Filipe Rocha e Rita Andringa viram esta antiga loja de motores, pensaram: vai ser aqui. E foi! A eles juntou-se Pedro Ventura, um dos outros sócios.

O Tiago e as 50 melhores tascas de Lisboa

Já me cruzei com o Tiago Pais por diversas vezes, o facto de sermos os dois jornalistas, ele do Observador, eu da LuxWoman, fez com que algumas vezes partilhássemos a mesma mesa. Antes do livro me chegar às mãos, já tinha ouvido falar dele, mas mesmo assim não deixou de ser uma boa surpresa.

Menu Português no Ritz

Os clientes, sobretudo internacionais, pediram e o Ritz Four Seasonsrespondeu com um menu inspirado em Portugal. ‘Desenhado’ pelo sous chef executivo Carlos Gonçalves são sabores que nos convidam a sobrevoar o melhor que temos a oferecer no nosso país.

Começámos pelo Algarve com Atum Marinado, Muxama de Atum, salada de citrinos e melancia. O atum é intercalado com melancia e citrinos, todos em cubos perfeitos, alinhados lado a lado. A única que quer ser diferente é a muxama, que se apresenta sob a forma de disco e finamente cortada, como deve ser, aliás. É um prato que nos remete para o Algarve, ultra fresco onde os sabores não se sobrepõem, mas verdade seja dita não morri de amores por ele (o que aconteceu com o senhor que se seguiu)…

Falamos na Salada de Polvo e recheio de Sapateira, gomos de gaspacho e Peixinhos do Mar. O polvo é-nos servido em fatias muito finas que fazem uma espécie de cama perfeita para o recheio de sapateira e para os gomos de gaspacho. Os vegetais frescos vão lindamente com os peixinhos do mar, que não é mais do que salicórnia envolta em polme e fazer lembrar-nos os ‘peixinhos da horta’. Muito interessante!

Segue-se um Filete confit de salmonete de Setúbal, lulas frescas e lingueirão. O peixe é tão fresco e está tão bem confeccionado que só faltava saltar dentro do prato, as lulas e o lingueirão enaltecem-no ainda mais, bem como os mini-vegetais que se fundem no molho ultra-rico, mas sem ser demasiado pesado, para não comprometer o peixe…

falta a carne pois claro, que se apresenta num de Duo de Vitela, Lombo salteado estufado com uma selecção de legumes salteados. É um prato mais quente, mas os legumes salteados crocantes q.b. refrescam-no. Gostei particularmente do montinho (à esquerda na foto) onde a carne que se desfaz literalmente, vem embrulhada em massa philo.

Fecha-se com uma sobremesa do chef pasteleiro Fabian Nguyen, uma Tarte de Chocolate Cremoso com sorbet de ginja. O chocolate apresenta-se sob várias texturas, como se estivesse constantemente a despertar-nos o palato. O sorbet de ginja é a grande surpresa, que refresca e torna esta sobremesa mais leve e apetecível.

Estes são apenas alguns dos exemplos do Menu Português, que está disponível (apenas ao jantar) no Restaurante Varanda do Ritz. 

 

 

O vinho, o Ljubomir Stanisic, o Miguel Pires e as histórias deles!

A ideia partiu do Vestigius, chama-se Vinhos com Histórias Dentro e a ‘estreia’ vai ser já amanhã, entre as 18h30 e as 20h.

De um lado vai estar Ljubomir Stanisic chef do 100 Maneiras, do outro Miguel Pires jornalista gastronómico e blogger no Mesa Marcada e a ideia é que cada um conte uma história que tenha a ver com vinhos.

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Prepare-se para ouvir o Ljubo falar do Nu (branco) e do Eclair (tinto) que criou em parceria com Rui Reguinga e Dirk Niepoort. O Miguel, vira-se para os espumantes e vai dissertar em torno do Ninfa de João Barbosa.