O Tiago e as 50 melhores tascas de Lisboa

Já me cruzei com o Tiago Pais por diversas vezes, o facto de sermos os dois jornalistas, ele do Observador, eu da LuxWoman, fez com que algumas vezes partilhássemos a mesma mesa. Antes do livro me chegar às mãos, já tinha ouvido falar dele, mas mesmo assim não deixou de ser uma boa surpresa. A acompanhar o livro, vinha um guardanapo de papel com um recado personalizado, uma mancha de vinho e um kompensam "para o caso de exagerarem nas doses ou temperos", achei maravilhoso e ainda não tinha aberto o livro...

A capa, diz muito, muitas vezes quase tudo. Mas verdade seja dita, há capas óptimas, mas interior que nos desilude. Não o paguei, foi oferecido, mas daria, sem pestanejar €11 por ele. Ponto um: os textos são super objectivos e muitos escritos com graça. Ponto dois: as fotografias do Gonçalo F. Santos dão-nos vontade de mergulhar na página. Ponto três: a direcção de arte e design do Luis Levy Lima é do melhor que tenho visto em publicações do género. Como se não bastasse há um mapa lá dentro para não nos perdermos, é grande o suficiente para não precisarmos de lupa e pequeno o suficiente para não ser um trambolho.

A papinha está toda feita. Agora é só meter-se a caminho e experimentar uma a uma. Pode começar pelas Palito D'Ouro (uma espécie de estrela Michelin das tascas criada pelo Tiago) ou não, pode simplesmente querermatar saudades de um bom cozido à portuguesa, de um arroz de cabidela ou de um bacalhau à lagareiro, entre muitos outros.

Falei com o Tiago, sobre as tascas, os pratos e os palitos e não fiquei enjoada

Há quanto tempo começaste a pensar neste livro e quanto tempo demoraste a fazê-lo?

O livro é uma ideia antiga, ainda dos tempos em que trabalhava na Time Out. Como era responsável pelos guias de restaurantes que a revista produzia, pensei várias vezes que devia haver um semelhante, mas dedicado a este tipo de restaurantes mais baratos, honestos e tradicionais. A primeira vez que tive a ideia foi algures em 2011, se não estou em erro. Como nunca chegou a ir para a frente, pensei depois em fazê-lo a título pessoal. Falei com a Zest no início do ano passado, eles gostaram da ideia e avançámos de imediato. Feitas as contas demorámos cerca de um ano, um pouco menos, a fazer o livro.

Quantas vezes foste à mesma tasca e qual foi o prato que comeste mais vezes?

Para seleccionar as tascas houve algumas que mereceram mais que uma visita, como a Merendinha do Arco ou o Príncipe do Calhariz, por exemplo. Outras já conhecia muito bem, de visitas anteriores, por isso à partida já estavam seleccionadas. Tentei variar sempre nos pratos, mas, claro, acabei por comer muitas vezes cozido à portuguesa ou arrozes disto e daquilo (coelho, pato, etc.)

Enjoaste alguma coisa?

Não, não sou de enjoo fácil.

Identificavas-te ou preferias o anonimato?

Quando ia almoçar ou jantar para ver se a tasca poderia entrar nas 50 ia anonimamente, como um cliente normal. Depois, para fazer o trabalho fomos sempre identificados, com marcação prévia, para nos deixarem aceder às cozinhas e fotografar aquilo que queríamos mostrar no livro.

Foi difícil atribuir os palitos de ouro ou nem por isso?

Foi difícil, claro - sinto algum carinho por todas as tascas do livro - , mas achámos que era essencial ter uma selecção da nata das tascas, por assim dizer.

O que é que te apetecia agora ?

Agora marchava bem um arroz de moelas com gambas do Pomar de Alvalade, ou o choco frito do Maçã Verde.

De todos os pratos que comeste diz-me um que nunca te cansas?

Bacalhau à Brás. Acho uma invenção incrível, ao nível da roda.

Se tivesses que conquistar alguém pela barriga, onde é que o/a levarias e a comer o quê?

Levaria a comer um bitoque no Sol-Rio e via como é que se comportava perante o molho e o ovo estrelado. Diz-me como comes o teu bitoque e dir-te-ei quem és.

Três boas razões para se comprar este livro e não outro qualquer?

Só três? Acho que temos uma selecção boa e variada de sítios, contamos histórias muitíssimo curiosas em todos eles, identificamos sempre pratos do dia, o que permite que escolhas o restaurante mediante o dia da semana que for e o que te apeteça comer, o grafismo é honesto, remete às tascas, e é muito criativo, as fotografias do Gonçalo conseguem (quase) fazer cheirar os tachos e os grelhadores... E o livro ainda vem com um mapa, que podes guardar e levar sempre contigo e que tem todas as tascas identificadas, com os Palitos d'Ouro assinalados.

Depois disto eu fiquei com fome, e vocês?