1º jantar Silver.Spoon em Portugal

Foi dos projectos mais interessantes que me passou à frente nos últimos tempos. São de Copenhaga mas decidiram mostrar o que valiam em Lisboa.
A Silver.Spoon organiza jantares/eventos em sítios improváveis. Já o fizeram em parques de estacionamento, igrejas, escolas, mercados, basicamente onde for preciso. O factor surpresa está sempre presente, ou seja, nunca se sabe o que vai ser. E melhor, nunca se sabe onde vai ser. Os participantes são avisados só em cima da hora.
‘Under the Deep Sea’ foi o primeiro jantar guerrilla em Portugal com a marca Silver.Spoon em parceria com o catering do Eleven.

Passa pouco das 19h, estamos na estação de metro do Terreiro do Paço quando nos pedem para avançar. Descemos. A ideia é estar abaixo do nível do mar, o metro passa-nos por cima, mas as colunas oferecem-nos o bater das ondas do mar. Estão postas duas mesas corridas para 50 pessoas, é tudo branco. Não há muita luz.

Sentamo-nos. O espaço é enorme, tal como o fundo do mar. O menu está enrolado num pequeno frasco de vidro, qual mensagem na garrafa e onde se pode adivinhar o que se segue:

– Conchas e Pérolas (berbigão, cevada agrião e espuma de ostras)

– Lagostim num Derrame (lagostim, caldo de peixe, bróculo romanesco e óleo de salsa)

– Tinta, Lulas e Tentáculos (polvo, lula, feijão-branco, mandioca, malte, maionese-de-tinta)

– Pesca do Bacalhau (bacalhau, vieira, cenoura, cebola, couve-flor e manteiga caramelizada)

– Tesouro-lata de um Naufrágio (Chocolate, doce-de-leite, merengues, pudim-de-pão, cerejas, vinho da medeira)

Podem sentar-se que o jantar vai ser servido, mas comecemos pelas apresentações:

Apresento-vos Tiffany NG a grande mentora da Silver.Spoon, se esta é uma excelente ideia, que os louros sejam atribuídos a Tiffany.

Este senhor aqui em cima de óculos escuros é William Milsted, um dos jovens chefs que esteve à frente deste jantar.


Aqui, a preparar aquele que viria a ser o prato de bacalhau está Thiago Marques, fala português (nasceu no Rio de Janeiro), mas são tantos os anos que vive em Amesterdão que a pronúncia já se faz notar.

As duas mesas corridas e a cozinha improvisada ao fundo, é aqui que tudo se passa…O Conchas e Pérolas é o primeiro prato que nos chega à mesa. Tenta-se adivinhar o cereal que acompanha o prato. Bulgur? Couscous grande? Não, é cevada.

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William prepara o Lagostim num Derrame. Há tantos sabores neste caldo…Explicam-nos que é feito a partir das cascas dos crustáceos, cenoura, cebola e outros. A verdadeira confort food está aqui!

A Tinta, as Lulas e os Tentáculos estão prontos a sair. São servidos num azulejo. Todos os pormenores são explicados, senão, não chegaríamos lá. A mandioca, o malte e a maionese de tinta marcam a diferença.

A Pesca do Bacalhau foi, sem dúvida, o prato da noite. O mote era ‘Catch your Own Cod’! E nós cumprimos, cada um levantou-se do seu lugar e foi retirar o saco com o bacalhau cozido a vácuo, que estava numa gaiola suspensa. Na mesa, quando nos sentamos já lá está o prato com a vieira, a cenoura, a couve-flor, a cebola roxa e a manteiga caramelizada. Só temos de cortar o saco do bacalhau e colocá-lo no prato… Para além do factor surpresa, os sabores estão todos lá!

Falta a sobremesa ou melhor, as sobremesas. São duas e vêm numa lata de conservas…

Chamam-lhe Tesouro-lata de um Naufrágio. Em cima, está a mousse de chocolate, o doce-de-leite e os merengues. Em baixo, um pudim de pão com cerejas maceradas em vinho da madeira. Thiago confidencia-nos que foi o próprio William que as macerou.

Os chefs estão felizes, nós também. Despedimo-nos com um… Até já!

Fotos: Alecfoy e Marta Braga